Diretórios do MDB organizam manifesto contra aliança nacional do partido com Lula
Documento foi entregue nesta terça-feira 3, ao presidente nacional da sigla, o deputado federal Baleia Rossi
Representantes do MDB nos estados entregaram carta a Baleia Rossi nesta terça-feira - Foto: Divulgação Representantes de diretórios do MDB em 17 estados elaboraram um manifesto contra a aliança nacional do partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento foi entregue nesta terça-feira 3, ao presidente nacional da sigla, o deputado federal Baleia Rossi (SP), com um pedido para que a sigla se mantenha neutra nas eleições em outubro.
Até o fechamento desta edição de O CORREIO DE HOJE, o documento contava com 22 assinaturas de membros de 17 diretórios estaduais do MDB.
O presidente do diretório do Rio Grande do Norte, vice-governador Walter Alves, não assina o texto. No RN, o MDB se afastou do PT nas últimas semanas, e Walter Alves declarou apoio à candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), ao Governo do Estado. Apesar disso, afirmou que apoiará a reeleição de Lula e não descartou aderir à candidatura da atual governadora Fátima Bezerra (PT) ao Senado.
A manifestação dos diretórios ocorre em meio a negociações de bastidores entre o presidente Lula e dirigentes do MDB sobre a possibilidade de indicação de um nome da sigla para a vaga de vice-presidente na chapa à reeleição. O atual vice, Geraldo Alckmin, é do PSB.
Mesmo tendo nomes próximos ao governo federal, como o senador Renan Calheiros e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, o MDB reúne grupos com posições diferentes dentro do partido. Lideranças regionais, principalmente de Estados governados pelo centro ou pela direita, preferem que a sigla se distancie da chapa petista.
A inciativa de organizar um manifesto contrário à aliança com Lula partiu do diretor do MDB de Goiás, o vice-governador Daniel Vilela (MDB).
Além dos presidentes estaduais, outros nomes de peso do partido assinaram o manifesto, como os prefeitos de São Paulo, Ricardo Nunes, e de Porto Alegre, Sebastião Melo, bem como o deputado federal Alceu Moreira (RS), presidente da Fundação Ulysses Guimarães. Os vice-governadores do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, e do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, também são signatários do documento. O vice-governador goiano, Daniel Vilela, defende que é preciso que uma reunião da executiva nacional seja convocada “com a máxima urgência” para deliberar sobre o assunto.
Vilela menciona que o partido foi ofendido durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula no carnaval do Rio de Janeiro deste ano.
“Entendo que é inconcebível que um partido com a história e o tamanho do MDB seja alvo de ataques desarrazoados, taxado como golpista até em desfile de carnaval patrocinado pelo atual governo do PT, sem manifestar sua profunda insatisfação”, escreveu o vice-governador.
Na apresentação, a escola fez referência a última aliança entre PT e MDB na Presidência da República, durante os governos da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2011 e 2016. À época, o MDB – então PMDB – integrou a coalizão governista e indicou o vice-presidente Michel Temer, compondo a chapa vencedora nas eleições de 2010 e 2014.
A aliança foi rompida em 2016, quando o MDB desembarcou do governo e passou a apoiar o processo de impeachment de Dilma no Congresso. Desde então, as duas siglas não voltaram a formar uma coalizão nacional nos mesmos moldes, apesar de o atual governo do presidente Lula contar com três emedebistas na Esplanada e manter negociações pontuais com o partido.



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