Lula e Paulo Okamotto transferiram R$ 873 mil para Lulinha, aponta quebra de sigilo bancário
Parte do valor foi aplicada pelo filho do presidente em fundos de renda fixa do Banco do Brasil, segundo dados analisados pela investigação
Registros bancários apontam transferências de Lula e Paulo Okamotto para Lulinha, que aplicou parte do dinheiro em fundos do Banco do Brasil Foto: Reprodução \ Ricardo Stuckert / PR Registros de quebra de sigilo bancário indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o dirigente petista Paulo Okamotto transferiram, juntos, R$ 873 mil para Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As informações constam de movimentações financeiras analisadas no âmbito de investigações em curso.
De acordo com os dados, Lula realizou três transferências que somam R$ 721,3 mil. Duas delas ocorreram em 27 de dezembro de 2023, nos valores de R$ 244,8 mil e R$ 92,4 mil. A terceira foi feita em 22 de julho de 2022, no valor de R$ 384 mil. Os depósitos partiram de uma conta do presidente em uma agência do Banco do Brasil em São Bernardo do Campo (SP).
No mesmo dia da transferência de julho de 2022, Paulo Okamotto — então presidente da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, e também diretor do Instituto Lula — depositou R$ 152.488,39 para Lulinha. A movimentação aparece registrada como “depósito cheque BB liquidado”. Não há indicação do motivo da transferência.
Dois dias após receber o repasse de R$ 384 mil, em 25 de julho de 2022, Lulinha aplicou R$ 386 mil no fundo BB Renda Fixa Longo Prazo High, do Banco do Brasil, que investe em títulos públicos e privados com objetivo de rendimento acima do CDI. Antes da transferência, o saldo da conta era de R$ 12.031,92. Após o depósito e a aplicação, restaram R$ 10.199,12.
Movimentação semelhante ocorreu em dezembro de 2023. Antes das transferências, o saldo da conta era de R$ 5.196,55. Após os depósitos — que somaram cerca de R$ 489 mil —, Lulinha investiu aproximadamente R$ 299,2 mil em fundos do Banco do Brasil, incluindo o BB Renda Fixa Longo Prazo High e o BB Referenciado DI Plus Estilo.
Depois das aplicações, o Banco do Brasil debitou quase R$ 180 mil classificados como “taxa de custódia”, o que levou a conta a registrar saldo negativo próximo de R$ 2 mil.
Os dados fazem parte da análise de movimentações financeiras que apontam que Lulinha movimentou cerca de R$ 19,3 milhões nessa conta entre 2022 e 2025.
À coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, aliados do empresário afirmaram que parte dos valores movimentados tem origem em herança. Nos últimos dias, a defesa de Lulinha também negou qualquer ligação dele com o chamado “Careca do INSS” ou com supostos descontos indevidos em aposentadorias.
Segundo os advogados, o filho do presidente irá prestar esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF), instância considerada adequada para conduzir a investigação.



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