Flávio Bolsonaro encontra pai na prisão e afirma que candidatura ‘não tem volta’
Senador afirma que não fará cobranças e que apoio ‘efusivo’ do governador de São Paulo ainda virá
Flávio trabalha para se consolidar como herdeiro político natural do pai para 2026 - Foto: Carlos Moura/Senado O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira, após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que sua candidatura à Presidência “não tem volta”. A declaração ocorre após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ter publicado um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e também de uma publicação em que a mulher de Tarcísio afirmou que o Brasil “precisava de um CEO”.
“As pesquisas mostram um crescimento rápido e consolidado e não vai ter outra possibilidade de candidatura. A minha candidatura não tem volta. Tenho certeza que em algum momento todos estarão mais efusivamente na campanha. Não vou ficar cobrando ninguém. Estou fazendo minha parte, que é pregar união. Não falei com Michelle nos últimos dois dias. Sigo pela união, não sou burro para cair nessa pegadinha”, disse Flávio.
Flávio tenta se firmar como pré-candidato e tem defendido, no entorno, que a direita não se divida antes de uma definição sobre o nome que ocupará o espaço eleitoral do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No PL, a leitura é que o senador busca combinar duas frentes: manter Jair Bolsonaro como referência simbólica central do movimento e, ao mesmo tempo, ampliar sua própria circulação para sustentar um projeto nacional.
A movimentação acontece em meio a um estranhamento recente dentro da família, após uma postagem da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com vídeo do governador Tarcísio de Freitas nas redes. A publicação foi interpretada por uma ala bolsonarista como gesto que alimenta especulações sobre Tarcísio para 2026 e, nos bastidores, gerou incômodo no entorno de Flávio, que trabalha para se consolidar como herdeiro político natural do pai.
O ruído aumentou mais ainda na terça-feira 13 com o episódio envolvendo a primeira-dama paulista Cristiane Freitas, mulher de Tarcísio, que comentou numa postagem do governador que “o Brasil precisa de um novo CEO”, em referência ao marido — comentário curtido por Michelle e recebido por bolsonaristas como sinalização eleitoral.
A reação foi forte em setores ligados ao ex-presidente, mas a ex-primeira-dama entrou em campo para defender Cristiane, argumentando que o comentário não significaria uma indicação de Tarcísio como candidato e que a preferência do grupo seguiria sendo por Jair Bolsonaro.
Tarcísio chama postagem de ‘desabafo’ e reafirma que ficará em SP
Em meio à divisão na direita, o governador Tarcísio de Freitas reafirmou nesta quinta-feira 15 que ficará em São Paulo nas eleições, minimizou publicações feitas por ele e pela primeira-dama, Cristiane, sobre mudanças no país e disse que apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
“Nunca teve esse projeto. É que vocês não acreditam. Mas eu sempre estou falando que meu projeto é reeleição, reeleição”, disse o governador a jornalistas ao ser indagado se tentaria a Presidência.
“O Flávio é um grande nome, já falei que ele é meu candidato, que vai ter o nosso apoio”, completou.
Na terça-feira 13, Tarcísio publicou um vídeo, gravado no fim do ano passado, em que faz críticas ao PT. Sua mulher comentou a mensagem dizendo que o Brasil precisa “de um novo CEO, meu marido”.
A publicação foi amplamente criticada por bolsonaristas. Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, ironizou a mensagem ao postar uma foto do ex-governador João Doria segurando uma revista que o descreve como CEO.
“A mensagem ali é de desabafo contra o PT”, disse Tarcísio nesta quinta sobre o vídeo. “A gente está dizendo ali o seguinte: a gente precisa, na verdade, de um gestor que pense o Brasil, que tenha a liderança para enfrentar os grandes desafios e resolver os problemas.”
“Então, quando você fala que o Brasil precisa de um novo gestor —e aquilo foi falado no contexto de um evento empresarial, por isso que se menciona o CEO—, a gente tá falando: não dá mais pro PT”, afirmou.
Ele também defendeu a prisão domiciliar para Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado, sob a justificativa do que chamou de “questões humanitárias”.
“Tem uma questão humanitária aí que está em jogo. O presidente não está bem de saúde. Veja: uma pessoa que tem refluxo às vezes se engasga à noite e pode ter um problema de asfixia”, afirmou.



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